Fiol beneficia mineradora e desagrada ambientalistas

Primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste terá como usuário quase exclusivo subsidiária de grupo investigado por corrupção no Reino Unido e alvo do Departamento de Justiça americano e do FBI

Com licitação conduzida a toque de caixa pelo governo Jair Bolsonaro, o primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) terá como usuário quase exclusivo a Bahia Mineração S.A (Bamin). A empresa é subsidiária brasileira do Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, investigado por corrupção no Reino Unido e alvo do Departamento de Justiça americano (DoJ na sigla em inglês) e do FBI. A ela pertence a mina Pedra de Ferro e um projeto de terminal portuário em Ilhéus, na Bahia.

O primeiro trecho para subconcessão da ferrovia, 537 km entre Caetité e Ilhéus, tem licitação marcada para 8 de abril na B3.

Apesar das promessas de empregos e progresso, o projeto da Fiol e os planos da Bamin têm gerado reação da população local e de ambientalistas. A via férrea passará por uma região que abriga um santuário ecológico. Ao longo de mais de 30 km ao norte de Ilhéus se estendem florestas, manguezais e áreas de estuário. É também onde fica a Lagoa Encantada, um espelho d’água que abriga ilhas flutuantes, cachoeiras e quatro grutas em área de Mata Atlântica até agora preservada.

Para dar escala à extração do ferro, a Bamin construirá uma barragem de rejeitos no município de Caetité (BA) cinco vezes maior que a do Fundão, que se rompeu em Mariana (MG), e terá ao menos 12 vezes o tamanho da represa do Córrego do Feijão, que arrebentou em Brumadinho (MG). A barragem fica acima do município de Guanambi, que tem 84,9 mil habitantes, e da represa de Ceraíma, que abastece a cidade e Caetité. Eventual rompimento da barragem atingiria não só a população de Guanambi mas a represa de Ceraíma e o rio São Francisco. Residente em Guanambi, a 40 quilômetros de Caetité, o dentista Evilázio Bonfim diz que “a cidade não foi ouvida nesse projeto descabido”.

A Bamin também já tem as licenças para construir o terminal portuário em Ilhéus, projeto que divide a comunidade local. A empresa afirma possuir todas as licenças necessárias para implementação e operação de suas atividades.

Fonte: Valor Econômico (https://valor.globo.com/impresso/noticia/2021/03/16/fiol-beneficia-mineradora-e-desagrada-ambientalistas.ghtml)

Elói Corrêa/GOVBA

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